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  • 27 de Fevereiro 2015

    Weyes Blood | Van Ayres & Rabu Mazda

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    Weyes Blood

    É um daqueles casos em que as referências do passado se entremeam com as percepções do presente criando um surpreendente anacronismo pop. Não será a única operadora do género na recente casta de 2014, porém dado o último álbum “The Innocents”, editado há meses pela Mexican Summer, abriu um merecido reconhecimento e uma aguçada curiosidade sobre quem é, de onde veio e para onde vai Natalie Mering – voz, artesã e xamã de Weyes Blood.

    Como neo-artefacto musical, transporta a tradição da folk britânica e norte-americana das décadas de 60 e 70. Consegue abranger a melhor escola destes dois pólos seja por via do psicadelismo deixado pela geração inglesa de Canterbury representada pelos Soft Machine, Caravan ou The Wild Flowers; depois, já com outro pé no lado oposto do Atlântico, respira a flora de Vashti Bunyan, Joni Mitchell ou ainda contemporâneas como Josephine Foster e Angel Olsen. Acrescenta contudo um apuro nas orquestrações e na imensidão melódica recorrendo para isso a alguma toada ambiental onde o piano e a guitarra (as ferramentas principais de Natalie) ficam momentaneamente de fora. Soa complexo, sem o procurar ser e sem nunca pecar por isso. Cânticos sagrados, por vezes próximos dos madrigais, atmosferas de alvorada e histórias que nunca aconteceram a não ser na cabeça de quem escuta estes ensaios, aglutinam-se no contexto de canção. Foi assim que o supracitado “The Innocents” galgou preferências e hypes, valendo-se do que de mais simples e genuíno pode oferecer. Normalmente essa entrega artística é infalível, seja em que contexto for, e volta a verificar-se uma vez mais por aqui.

    O tom coral da sua voz revela uma infância desde cedo ligada ao estudo musical, primeiramente académico e depois então moldado pela convivência com algumas das mais importantes constelações do experimentalismo norte-americano como Jackie-o-Motherfucker (onde foi baixista), Axolotl e Nautical Almanac (partilhando estúdios e palcos) ou com esse ícone chamado Ariel Pink (emprestando a voz no aclamado “Mature Themes”). Liricamente assertiva, dispensa eufemismos nas palavras. Aliás, só assim poderia ser perante as formas carnais vincadas que assentam na configuração etérea de Weyes Blood. Um corpo completo sem dúvida, mas nómada no tempo em que vagueia. Graciosamente nómada. NA

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    Van Ayres & Rabu Mazda

    Depois de um salutar e aparentemente casual encontro do qual resultou Acacia – longa e encantadora paisagem em mutação no ponto de inflexão da new age e da kösmiche mais tropical – Van Ayres e Rabu Mazda apresentam-se pela primeira vez in loco numa altura revelação contínua de toda uma nova geração de músicos que têm agitado as águas da música feita pelo burgo.

    Rabu Mazda é o pseudónimo do cada vez mais presente Leonardo Bindilatti – “gajo do som” da Cafetra, responsável pela gravação de discos como Jovem Excelso Happy de Putas Bêbadas ou Alfarroba das Pega Monstro -, cujos devaneios electrónicos têm vindo a lume nas canções doces e enviesadas dos Kridinhux e Iguanas, para além de fustigar a tarola em Putas Bêbadas. Van Ayres é a encarnação mais recente do jovem Rafael Ayres – após a descoberta com Uli-, mago da electrónica caseira, com sede de descoberta e pureza de intenções.

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