• EXPOSIÇÕES
  • De 12 de Fevereiro a 15 de Abril

    VERBIVOCOVISUAL

    Poesia experimental e concreta portuguesa de 1960 a 1975
    .

    rsz_img_site

    .
    .
    VERBIVOCOVISUAL
    Poesia concreta e experimental portuguesa de 1960 a 1975
    Curadoria: Natxo Checa
    De 12 de Fevereiro a 15 de Abril de 2017
    Horário: Quarta a Sábado, 19h00 às 23h00
    Entrada: 2€

    ..

    Visitas Sonoras com Américo Rodrigues
    Quinta e Sexta. 2 e 3 de Março . 19H00

    Não andaremos longe da verdade se afirmarmos que a Poesia Experimental foi o único momento do século XX em que se conseguiu inverter o crónico epigonismo português face às práticas artísticas internacionais. Este facto era da maior relevância cultural para o nosso país e fizemo-lo saber de forma contundente: em carta de 1962 ao suplemento literário do jornal Times, E. M. de Melo e Castro anunciava aos leitores que, ao contrário do que aquele jornal havia sugerido, as experiências ligadas à poesia visual não eram invenção anglo-saxónica – havia em Portugal e no Brasil quem se dedicasse à exploração da página como campo performativo e do signo como agente primeiro dessa performatividade, pelo menos desde meados dos anos 1950.A importância que a posição portuguesa granjeou no contexto da poesia visual ultrapassa o seu significado nas áreas estritas das artes visuais e da poesia. Ela sublinha a absoluta sintonia de um conjunto de autores nacionais com a abrangente revolução cultural que instalou a semiótica e o estruturalismo no centro dos debates culturais em ambas os lados do Atlântico. Contemporânea (e, por vezes mesma, precursora) das artes pop e conceptual, da performance e do happening, da interdisciplinaridade, do impulso no sentido da desmaterialização do objecto artístico e da generalizada contestação face à crescente mercantilização da obra de arte, a Poesia Experimental foi parte activa da efervescência intelectual saída dos escombros da Segunda Guerra Mundial.  

    A exposição que a ZDB agora apresenta permite acompanhar alguns dos momentos-chave deste particular fenómeno. Centrado na produção nacional, mas fazendo relevantes incursões a autores de outras geografias, a exposição desenha um retrato cronológico da Poesia Experimental. Das primeiras e inovadoras experiências de José-Alberto Marques, Ana Hatherly ou Melo e Castro no final dos anos 1950, passando pelos anos da afirmação crítica e cultural de toda a década seguinte, e chegando ao reconhecimento verificado nos anos de 1970, esta exposição reúne cerca de centena e meia de peças – entre obras, documentos, filmes e publicações – cuja reunião constitui uma oportunidade rara de mergulhar num dos mais significativos fenómenos artísticos portugueses das últimas décadas.

    Reservas para reservas@zedosbois.org

    Artistas e autores representados na exposição:
    M. de Melo e Castro, Ana Hatherly, António Aragão, Salette Tavares, José-Alberto Marques, Liberto Cruz (Álvaro Neto), Abílio-José Santos, Herberto Hélder, António Barahona da Fonseca, Alberto Pimenta, Fernando Aguiar e Silvestre Pestana.

    Estão representados também alguns artistas internacionais com quem este grupo partilhou exposições e publicações como Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Pierre Garnier, Henri Chopin, Ian Hamilton Finlay, John Furnival, Ken Cox, Bob Cobing, Pedro Xisto, Mei Leandro de Castro.

    Fora da exposição, numa sala contígua, um conjunto de obras recentes homenageiam a PO-EX:  Alexandre Estrela, António Poppe, Calhau!, João Maria Gusmão
    e Pedro Paiva, João Simões, Manuela Pacheco, Pato Bravo, Sei Miguel e Tomás Cunha Ferreira.

    .

    Visitas Sonoras com Américo Rodrigues
    Quinta e Sexta, 2 e 3 de Março às 19h

    Ao longo das últimas décadas, Américo Rodrigues tem vindo a desenvolver um intrincado trabalho de exploração da voz em formatos ao vivo e gravados, promovendo o cruzamento entre o uso performativo do aparelho vocal e ambientes sonoros. Com um corpo de trabalho que se situa entre a música, a poesia sonora e a perfomance, a sua obra construiu um laboratório que renova e desafia os limites do poema sonoro, potenciando novos horizontes para a apresentação e consumo de poesia.

    Nesta sessão dupla de visitas guiadas à exposição “Verbivocovisual”, Américo Rodrigues interpretará obras de Ernesto Melo e Castro, Salette Tavares, António Aragão, Ana Hatherly, José-Alberto Marques, entre outros.

    .

    Inauguração a 12 de Fevereiro 2017 às 17h 
    Happening – Concerto e audição pictórica
    c/ António Poppe, Américo Rodrigues, Luís J. Martins, Lula Pena, Joana Sá, Natxo Checa, Nuno Moura e Rafael Toral

    VERBIVOCOVISUAL

    Experimental and concrete Portuguese poetry between 1960 and 1975

    From February 12 until April 15
    Wednesday to Saturday, 7pm to 11 pm

    Curator: Natxo Checa

    We are certainly not far from the truth if we state that Poesia Experimental (Experimental Poetry) was the sole moment of the 20th-Century where Portuguese culture was on the lead, rather than having to follow international dictates. Of course, this was a fat of utmost cultural relevance and we were crisp on stating it: in a letter addresses to The Times, the artist E. M. de Melo e Castro informed the readers that, contrary to what the newspaper had suggested, the recent experiments in visual poetry were not an English invention – there was a group of Portuguese and Brazilian artists using the page as a performative field and the written sign as its foremost agent, since at least the mid-1950s.

    The relevance of the Portuguese stance in this context surpasses its impact on the visual arts’ and poetry’s production fields. It underlines the synchrony of a broad group of Portuguese artists with the cultural revolution which set semiotics and structuralism at the centre of every debate taking place on each side of the Atlantic. Coexisting, and sometimes preceding, the events that brought about Pop and Conceptual Art, performance and happenings, interdisciplinary activities, the so-called dematerialization of the art object, as well as the generalized reaction against the growing commodification of the artwork, Poesia Experimental was an integral part of the intellectual rebirth in the aftermath of World War II.

    The exhibition ZDB now presents allows us to discover some of the key-moments of this peculiar artistic phenomenon. Centred around the production of Portuguese artists, but including pieces by international authors, the exhibition draws a portrait of Poesia Experimental in chronological order. Starting with the first experiences by artists such as José-Alberto Marques, Ana Hatherly or Melo e Castro in the late 1950s, going through the years of Poesia Experimental’s critical and cultural sedimentation in the 1960s, and arriving at its artistic acclaim throughout the 1970’s, this exhibition displays some 150 pieces – from artworks to documents, films, and publications – whose gathering constitutes a rare opportunity to submerge oneself in one of the most significant Portuguese artistic moments of the last decades.

    List of authors:

    E. M. de Melo e Castro, Ana Hatherly, António Aragão, Salette Tavares, José-Alberto Marques, Liberto Cruz (Álvaro Neto), Abílio-José Santos, Herberto Hélder, António Barahona da Fonseca, Alberto Pimenta, Fernando Aguiar e Silvestre Pestana.

    Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Pierre Garnier, Henri Chopin, Ian Hamilton Finlay, John Furnival, Ken Cox, Bob Cobing, Pedro Xisto, Mei Leandro de Castro.