• CONCERTOS
  • 10 de Janeiro 2015

    Tratado de Cornelius Cardew | Plume

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    Tratado de Cornelius Cardew

    Interpretação integral da obra Treatise de Cornelius Cardew por um ensemble constituído pelos músicos Bernardo Álvares, Aude Barrio, Carlos Godinho, Joana Guerra, Rui Miguel, Miguel Mira, Paulo Raposo, João Silva, Daniela Silvestre, Yaw Tembe e Nuno Torres

    Discípulo, enquanto jovem, de Karlheinz Stockhausen, membro do grupo seminal AMM e fundador da Scratch Orchestra, Cornelius Cardew (1936-1981) foi um dos músicos e compositores mais inquietos e decisivos do século XX. Consciente do cunho político da sua arte (onde arte e vida, como arte e política, nunca foram esferas separadas) definiu a sua música enquanto “people’s liberation music”. Na década de 1960, aproximou-se das linguagens de improvisação musical e do pensamento de Wittgenstein cujo tratado inspirou precisamente a sua obra-prima. Com os AMM ajudou a criar a improvisação livre e a música popular de vanguarda na Inglaterra. Algumas dessas ideias foram melhor formuladas em «Towards an Ethic of Improvisation». Durante a década de 1970, o artista torna-se um militante comunista e, com a Scratch Orchestra, rompe com a vanguarda e compõe hinos e canções de intervenção para a classe trabalhadora. Foi na sequência desse rompimento que publicou o polémico panfleto «Stockhausen Serves Imperialism». Em 1981 foi encontrado atropelado.

    O Tratado de Cornelius Cardew, considerado o “Monte Everest” dos scores gráficos, foi iniciado em 1963 e completado em 1967. Consiste em 193 páginas combinando um imenso conjunto de elementos gráficos que formam uma longa composição visual (números, formas e símbolos, alguns dos quais relacionados com a nomenclatura clássica musical mas sem qualquer hipótese de interpretação absoluta). Cardew não especifica nem instrui especificamente sobre a execução do Tratado. Não há quaisquer notas explicativas ou didascálias.  Configura-se antes como uma paisagem aberta a qualquer número de músicos, instrumentos (acústicos, analógicos ou digitais). Incentivando a improvisação, sugere-se que os intérpretes definam eles próprios a priori as regras do (seu) jogo.

    O tratado, em toda a sua envergadura estética e impacto visual, coloca constantemente a (sua) performatividade em aberto, por vezes mesmo subjugando-a. Ao libertar a música agrilhoada historicamente a uma notação convencional, constitui um marco inspirador na demanda de novas formas e linguagens sonoras. Texto da autoria dos músicos

     

    Formação:
    Bernardo Álvares: contrabaixo
    Aude Barrio: contrabaixo eléctrico
    Carlos Godinho: percussão
    Joana Guerra: violoncelo
    Rui Miguel: electrónica
    Miguel Mira: violoncelo
    Paulo Raposo: electrónica
    João Silva: percussão e electrónica
    Daniela Silvestre: electrónica e objectos
    Yaw Tembe: trompete
    Nuno Torres: saxofone alto

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    © Sara Rocio

    Plume
    Se retirarmos os vários elementos que compõem uma canção e através desse processo seguirmos na direcção oposta a partir do que foi retirado, fica um movimento constante de procura e risco. Composto por Helena Espvall (violoncelo), Maria Radich (voz) e Ricardo Ribeiro (clarinetes), PLUME é esse lugar de retiro pelo risco, composto em tempo real.

    Formação:
    Helena Espvall: violoncelo
    Maria Radich: voz
    Ricardo Ribeiro: clarinete
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    Entradas: 6€ | Entrada livre a sócios