• CONCERTOS
  • Quinta 14 e Domingo 17 de Junho às 22h

    Tim Bernardes

     

    Um dos expoentes da prolífica nova vaga do outro lado do Atlântico, Tim Bernardes é um compositor e músico brasileiro, de nobre berço musical (filho de Maurício Pereira d’Os Mulheres Negras) notabilizado como membro da banda O Terno. E se timing por vezes é tudo, em tempo de algum desamparo cívico no país, Tim que diz Vai ter Copa, vai ter Carnaval, mas continua errado, decidiu dar aos brasileiros e ao mundo algo tão simples como poderoso. Como diz numa das suas canções, Eu quis mudar / E isso implicava em deixar para trás / Meu chão, meu conforto, o certo, a paz / Eu fui a procura de mais. A ideia de que o Brasil não tem nada a temer: por exemplo, se há décadas que não havia nenhum disco tão bom, tão poderoso a ser feito naquele país, para ele surgir, bastava recomeçar. É esse o verbo que dá o nome ao seu primeiro disco a solo. Uma portentosa coleção de belíssimas canções que caminham decididas à intemporalidade, que ele mesmo escreveu, tocou, dirigiu, misturou, produziu e lançou no ano passado. Qual Brian Wilson lóki na melhor cidade da América do Sul, fechou-se meses no estúdio Canoa ao leme de si mesmo e de um nicho reservado de colaboradores. O resultado foi brutalmente íntimo, sombrio até e deveras surpreendente, muito além-da-energia-luminosa- do-rock- de-O Terno.

    Recuperou palavras de perda e separação de canções na gaveta, algumas desde 2010, e adicionou-lhes uma magia tal que o torna membro de pleno direito do melhor Clube da Esquina. Mais, estes arranjos rivalizam com o mestre Rogério Duprat, relembrando igualmente as cordas do ubermeister George Martin, mais nos injustamente perdidos Stackridge do que nos Beatles até. Tim conseguiu nesta sua viagem interior uma pangeografia sonora espetacular e singular. Ouvir estas canções faz-nos andar por Caetano e de repente Lô Borges e de repente Scott Walker e de repente Neil Young.

    Eis o Olimpo sonoro que Devendra tanto persegue nalguns temas. As canções pop mulata perfeitas que Arto Lindsay busca há décadas. A ponte perfeita entre Manhattan e a Avenida Paulista. Folk de samba (muito) subtil no pé como o próprio admitiu, canções que mesmo despidas dos seus arranjos (como acontece a vivo), nos dão o melhor Folkswagen fusca, ao vivo e a cores, na voz e ao violão. Imperdível. NL

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    Entradas: 8€ |Bilhetes disponíveis na Flur DiscosTabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h)

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