• CONCERTOS
  • 26 de Fevereiro 2014

    Tetuzi Akiyama | Rafael Toral

    Tetuzi Akiyama
    Na senda parcimoniosa dos grandes, que com apaixonado labor vão erigindo discretamente uma carreira cujas coordenadas apontam para alguma da música mais essencial vinda do Japão, Tetuzi Akiyama tem para si um lugar de destaque nesse templo em construção. Tendo dado início ao seu trajecto no final dos anos 80, Akiyama trabalha a guitarra – eléctrica e acústica – numa narrativa de exploração constante capaz de albergar a rarefacção zen do near silence – facção humana e expressionista – e o êxtase da electricidade com a tenacidade dos verdadeiros.

    Com a bênção dos blues a informar todo o seu caminho, Akiyama vai espalhando as suas idiossincrasias em discos tão distintos quanto minuciosos na sua procura, cruzando trilhos que tanto passam pela delicadeza mística do acústico Pre-Existence como pela fúria amplificada de ‘Don’t Forget to Boogie!’ – título roubado ao grito de Bob “the Bear” Hite no final dos concertos dos Canned Heat e que aqui ecoa para o infinito. No fundo, a guitarra como extensão da persona naquilo que tem de mais sincero e profundamente real.

    Tendo alimentado uma relação muito próxima com Taku Sugimoto e Toshimaru Nakamura, tem também vindo a colaborar regularmente com algumas figuras chave da música improvisada como Keiji Haino, Oren Ambarchi ou Alan Licht, além de ter participado em ‘Manafon’ do David Sylvian. Para este celebrado regresso à ZDB, Akyiama irá apresentar-se munido de guitarra eléctrica e tape echo, numa via franca para a catarse de inescapável apelo anímico. BS

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    Rafael Toral
    Presença justificadamente assídua no palco da ZDB e cuja enorme importância no panorama das músicas mais aventureiras e libertárias já há muito deixou de ser questionada, Rafael Toral tem deixado atrás de si um corpo de obra suficientemente extenso e imponente para que qualquer pequena resenha biográfica se revele mais ou menos redundante. Com um CV que toca em muitos dos avanços estéticos, ideológicos e formais operados em território europeu nos domínios do experimentalismo, Toral prossegue o seu caminho com a segurança dos enormes em busca de caminhos ainda por desbravar.

    Ao longo dos últimos anos, tem sido o seu hercúleo Space Program a força motriz para muito do seu trabalho nos terrenos movediços da música electrónica, enformada por uma sensibilidade jazzística que está ainda longe de se concluir. Habitualmente, encontra-mo-lo num regime de colaboração com figuras como Afonso Simões, Ricardo Webbens ou Sei Miguel – fazendo parte do seu Carro de Fogo -, mas para esta noite Toral reserva uma rara aparição a solo. Oportunidade incrível para acompanhar este work in progress fascinante na sua forma mais pura e essencial.
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