• CONCERTOS
  • Quinta, 22 de Março às 22h

    Shannon Lay | April Marmara

     

     

    Shannon Lay

    De cabelo cor de fogo, Shannon Lay tem discretamente surgido como uma das forças criativas de maior destaque na folk de hoje. A pinta de punk-rocker não deixa esconder os ensinamentos do feedback e da catarse da sua banda, os Feels. Mas curiosamente esses elementos são também transportados para as canções do seu último “Living Water”. Da delicadeza que ascende em explosão ou da brutalidade que se desfaz em implosão, a guitarra e voz da própria gravitam sobre o que se pode efectivamente ganhar através de uma abordagem de simplicidade e de entrega. Despir pensamentos aparentemente complexos e apresentá-los, pele na pele, é um trabalho exigente em diversos níveis – e Lay parece ter essa consciência, em definitivo. Porém, este é um resultado maior, de outros intervenientes. Deveremos aqui incluir Emmett Kelly, uma espécie de braço direito durante as sessões de gravação do álbum supracitado. Ele que já teve o mesmo papel ao lado de gente como Cairo Gang, Angel Olsen, Ty Segall ou Bonnie Prince Billy. O espírito irrequieto e pouco convencional de Shannon Lay encontra em Kelly uma base de descolagem perfeita. O ouvido apurado para o detalhe – e o que dele pode advir – acrescenta espaço para arranjos pontuais de contrabaixo ou violino (a recordar, por vezes, o saudoso “Dogs” de Nina Nastasia). O transe do minimalismo das suas cordas são o leito ideal para a sua voz serpenteie a nossa imaginação com notas e versos capazes de nos desarmar sem estarmos à espera. Fá-lo com agilidade, ironia ou desafio, e por isso mesmo convence-nos, voltando a ela, repetidamente; como em busca de mais.

    “Living Water” é, no entanto, o terceiro vértice de um trio de álbuns que traçam a cantautora. Escutando o que vem de trás, já aí se semeava uma noção de composição muito peculiar: sem devaneios, mas conservando uma dinâmica original no modo como gere ritmos e harmonias. Além disso, a combinação dessa herança punk com direcções apontadas pelo blues, colocam-na num trilho que só pode estar certo – e cuja editora Woodsist desde logo percebeu valor. Recentemente acompanhou Kevin Morby em várias apresentações tem vindo a captar um base de seguidores por onde quer que passe. De resto, Lisboa tem tudo para acolhê-la como merece. Vislumbra-se um caso de amor ardente neste 2018. NA

     

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    April Marmara

    ”Do pedaço ghost folk da multifacetada Spring Toast Records, surge April Marmara. Bia Diniz, cantora e compositora deste solitário projecto, vai beber aos ambientes bucólicos dos amigos e companheiros de editora, Calcutá ou Jasmim. Mas não nos limitemos a comparações imediatas, até porque estamos perante um universo bastante singular. Com uma invulgar serenidade nos dedos e na pose, e com um registo vocal cuidado e arrepiante, April Marmara apresenta-nos as suas negras canções de amor. São canções sem espinhas ou gorduras desnecessárias que, ora lembram as noites de vendaval vistas pela janela do quarto, ora lembram os passeios ao sabor da brisa das pálidas manhãs de Outono. Imagens e mais imagens, que Bia Diniz canta sem qualquer pudor. Uma coragem fora de série, que é friamente catapultada para os ouvidos de quem ouve, e reconhece a nostalgia, a solidão e a universalidade de quem escreve canções folk assim. Sim, tudo isto é folk, e é como folk deve ser, solitário, bem cantado, e que podia não ter língua nem terra!”

     

    Formação: Bia Diniz: voz, guitarra | Teresa Castro: guitarra, harmónio, voz | Catarina Marques: viola de arco

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    Entradas: 8€ |Entrada livre a sócios ZDB | Bilhetes disponíveis na Flur DiscosTabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h) | reservas@zedosbois.org

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