• CONCERTOS
  • Quarta, 13 de Março às 22h

    Sarah Davachi | Yu Lin Humm

    Sarah Davachi
    Trajecto continuamente apaixonante e aberto o desta nativa da insuspeita cidade de Calgary no Canadá actualmente a residir Los Angeles, onde se encontra a terminar um doutoramento em Musicologia na UCLA. Concentrada na imersão da electro-acústica, Davachi assume-se de forma discreta uma compositora de “lullabies”, termo nada conotado com o meio académico e bastante adequado para uma música muito pouco enredada no tecido formal sisudo que cobre a composição moderna. Há um chamamento comunal, uma lado quase litúrgico, profundamente humano na sua contemplação que nunca se deixa levar em ondas de sonambulismo até ao estado letárgico da tropa dormente do ambient/drone/contemporânea.
    Elevada numa aura de paz-não-new age a música de Davachi preenche o espaço aural através de um campo harmónico aparentemente simples que conjura um fluxo contínuo de ressonâncias, timbres e tons em movimentos longos e delicados a partir de órgãos, sintetizadores, piano, cordas ou vozes. Tudo registado numa actividade constante e precisa ao longo destes últimos seis anos, desde as primeiras cassetes até à aclamação generalizada, num crescendo de devido respeito que em nada tem abrandado o ritmo de trabalho de quem não anda marcar passo aos louros da crítica e da notoriedade.

    Já com álbuns como ‘Barons Court’ ou ‘Vergers’ a iluminarem a discografia foi com ‘All My Circles Run’ de 2017 que mais ouvidos se voltaram para uma obra que picando em coordenadas de sonho como a espiritualidade de Edward Artemiev, a devoção de Pauline Oliveros, a hipnose de Phil Niblock e Eliane Radigue ou a contenção magnânima dos Stars of the Lid se suspendia num centro gravitacional muito seu, que ascende pleno em ”Light Night Come On Bells Save the Day’ e ‘Gave In Rest’ lançados no ano passado. O primeiro encadeado numa luminosidade beatífica de pequenos gestos e o segundo a abater uma sombra subliminar sobre tudo isso, num díptico étereo que recolheu merecidos elogios – ‘Light Night…’ galgou ao sexto lugar na lista da Wire – e revela em pleno uma das figuras mais abençoadas da composição moderna de agora. Para futuro. BS

    Yu Lin Humm
    Nascida em Milão e a morar em Lisboa desde 2015 após estadia em Nova Iorque embrenhada no jazz após estudos em música clássica, Yu Lin Humm carrega no seu código genético diversas proveniências – Vietname, China ou França – que espelham na boa um processo de aglutinação orgânico de inúmeras músicas da Ásia, América Latina e Europa reveladas principalmente ao violoncelo, mas também no piano e na voz. Perfeitamente imiscuída no circuito de improvisação, tem colaborado activamente com a Creative Sources. Islas Resonantes é o seu primeiro disco que teremos a honra de escutar pela primeira vez. BS

    +info: vídeo

     

    Entrada: 8€ |Bilhetes disponíveis na Flur DiscosTabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h) | reservas@zedosbois.org