• CONCERTOS
  • Quinta, 8 de Novembro às 22h

    Rodrigo Amado Motion Trio ft Larry Ochs

     


    “It is not like jazz music, for which no learning is needed. Even monkeys can understand jazz. In fact, only monkeys understand it. It is not music, just a few crackpots making all kinds of noises and you think it is music.”

    Bhagwan Shree Rajneesh aka Osho

     

     

    Num ano em que muito se falou do Osho por força do documentário ‘Wild Wild Country’ da Netflix, existe o timing certo para aproveitar esta afirmação escabrosa e hilariante para dar o mote a esta noite. Na verdade, nem é assim tão surpreendente e é tão vazia quanto toda a ideologia que prega, mas encarada com a postura do “copo meio cheio” encontramos até uma certa verdade transviada naquele “even monkeys can understand jazz”. A universalidade, um escape ao raciocínio lógico truncado e à visão em túnel com vista a uma libertação bem explícita num título como ‘Desire & Freedom’

    Nome certeiro para o último álbum do trio capitaneado pelo saxofonista Rodrigo Amado, indicia um estado libidinal e libertador, instintivo na entrega. Mas pleno de saber, numa curva de aprendizagem constante daquela que é hoje uma das entidades do jazz europeu. Working band de arrojo e consistência, num fluxo de comunicação triangular que liga aos sopros de Amado a bateria interminável de Gabriel Ferrandini e o violoncelo múltiplo de Miguel Mira com vista a um plano de elevação anímica e física, recolhendo ensinamentos deste e do outro lado do Atlântico – a igreja de Coltrane e a universidade de Parker – numa busca incessante e verdadeira por uma música muito sua.

    Nesse discurso livre existe, por comparação bruta com os seus pares europeus, um certo apelo intuitivo e pouco formal, mais continuado com a tradição loft de Nova Iorque e por isso mesmo mais catárquico e, enfim, humano. Com praticamente uma década de existência, de afirmação constante, o Motion Trio encontra-se hoje num patamar de igual lirismo e explosão, a alavancar momentos de freak out improvisado e campos harmónicos de riqueza tímbrica e textural num mesmo fôlego. Sempre em aberto.

    Nesse campo em aberto, abre-se lugar à colaboração com outros luminários, em colaborações sem quaisquer hierarquias que deram já origem a discos com Peter Evans e Jeb Bishop. A estes junta-se agora Larry Ochs. Figura imponente do cena nova iorquina, cujo trabalho no saxofone se tem espalhado por entre o inesperado Rova Saxophone Quartet, inúmeras colaborações com gente como Fred Frith ou Glenn Spearman ou a composição para bandas sonoroas, na frente mais inconformista do jazz e suas ramificações avant. Encontro surpreendente e com tudo para correr bem. Até o Osho ficaria curioso. BS

     

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    Entrada: 8€ |Bilhetes disponíveis na Flur DiscosTabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h) | reservas@zedosbois.org