• CONCERTOS
  • 26 de Março 2015

    Rita Braga | MårDiČu

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    Sem holofotes a ofuscar caminho, o percurso de Rita Braga merece atenção e aplauso. Se por um lado tem vindo a representar alguma da fatia mais original no panorama cantautor nacional, por outro haverão poucos casos como o dela em que, mantendo-se num circuito de produção independente, tem alcançado enormes conquistas. Encontrar espaço próprio neste limbo nem sempre é fácil, mais ainda quando já se conta uma década completa de estrada e estúdio. Do boca-a-boca gerado pelos primeiros concertos até às várias viagens mundo fora, sempre com a sua música atrás, a sua carreira tem alcançado um gradual e sóbrio processo de internacionalização – facto que não se assume tanto por objectivo, mas que se tem verificado.

    Relativamente distante dos delírios space age do seu pseudónimo enquanto Blue Bobby, cujo EP de Meet Me Tonight In Dreamland revelou uma deliciosa mão cheia de experimentações pop com ecos da herança de Joe Meek ou Clara Rockmore, as suas composições soam agora mais nómadas que nunca. Algo que o álbum de estreia Cherries that Went To The Police expôs de modo inequívoco, revelando sonoridades emprestadas à folk dos Balcãs, à música ancestral árabe, aos ecos do Havai passando ainda pelo swing ou cabaret. Entre o ukelele e os teclados, a sua voz baila nesta bizarra amálgama instrumental tão magnética quanto parece realmente soar. A multiplicidade de mundos que explora levou-a a receber diversos convites para colaborações com The Legendary Tigerman, Bernardo Devlin ou com o titã da electrónica abstracta alemã, Felix Kubin. O ano passado.

    Aproveitando a sua passagem pelo Brasil,  gravou Gringo in São Paulo numa formação inédita que juntou músicos locais culminando numa série de apresentações por São Paulo e Rio De Janeiro. Foi então com os Indiozinhos Psicodélicos – nome dado à formação – que aprofundou matéria permitindo a inclusão de novos instrumentos e outras paisagens. Neste regresso à Galeria Zé dos Bois, quase dois anos depois da sua última visita, o brilho de Rita Braga volta cintilar para apresentar, em primeira-mão, o novo disco Gringo in São Paulo. 

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    MårDiČu é um colectivo de performance de Malmö, Suécia. Elas baseiam as suas performances – que contêm um tom “bizarro” – em várias disciplinas artísticas, e frequentemente incorporam elementos culturais da Suécia e da antiga Jugoslávia para devolver alguma luz ao absurdo da vida moderna.

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    Formação:
    Rita Braga: voz, ukulele, banjolele, fender rhodes, laptop
    MårDiČu (Merima Dizdarević, Ida Christina e Vladica Čulić ): acompanhamento vocal, percussões, iaeniaens*
    Martha Colburn: projeções de vídeo / VJ

    *Iaeniaens são instrumentos criados e construídos no “Instant Instrument Workshop” de McCloud ZicMuse http://iaeniaen.zicmuse.com/