• Apresentações
  • Quarta a sábado, 4 a 7 de Julho, às 21.30

    Real Dog

    Solange Freitas

     


    foto: Laís Pereira

    Um dos resultados menos visíveis do trabalho que o NEGÓCIO e a ZDB desenvolvem no apoio à criação, à produção e à apresentação de projectos artísticos é o estabelecimento de uma comunidade informal de criadores cujas interacções e partilhas fomentam cumplicidades e originam parcerias. Isso mesmo tem lugar nesta co-produção que o NEGÓCIO leva a cabo com Solange Freitas e cujo elenco é composto por elementos que, de algum modo, em alguma circunstância, fazem parte da referida comunidade que a ZDB também é.  Partilham a sua criatividade e diálogo crítico para pôr em cena uma visão específica sobre um evento real, também ele atravessado por essa força intangível de que é feita a cumplicidade.

     

    Este projecto é sobre o momento em que somos atingidos pelo que nos olha. Sobre o que tomamos como visível e invisível. O que escolhemos olhar e o que recusamos? A criação tem como ponto de partida a expressão “baseado em factos verídicos”, largamente utilizada na produção cinematográfica. Quando contamos uma história, está implícito que aquilo que dizemos, que os factos que descrevemos alegadamente aconteceram e as coisas são o que mostram ser, partindo desta premissa estamos num terreno perigoso do qual não podemos fugir. Real Dog é um campo minado, onde as fronteiras são invisíveis, lugar frágil entre nós e as imagens, onde as relações entre pessoas, objectos e lugares subvertem-se num piscar de olhos.

     

    A pretensa veracidade dos factos é um terreno fértil onde todas as versões do mesmo são possíveis. Assim, toma-se como ponto de partida vários materiais, nomeadamente a história de três homens que assaltaram um banco nos anos setenta, cuja história gira em torno do carismático John Wojtowicz que deu origem ao filme “Dog Day Afternoon” de 1975, realizado por Sidney Lumet. O evento original, o assalto, tornou-se um espectáculo mediático. John Wojtowicz alegou que o motivo do assalto seria para dar o dinheiro ao seu amante para uma mudança de sexo. O assalto que durou catorze horas resultou na prisão de John, o mesmo acabou por conseguir o dinheiro que pretendia vendendo a história para a realização do filme de Sidney Lumet. O protagonista, numa entrevista, afirmou que bateu o sistema ao conseguir o valor que pretendia e também afirmou que o filme não correspondia totalmente à verdade e passou a usar o nome: “Dog”. Vinte e quadro anos depois, em 1999, o artista plástico Pierre Huyghe procurou John Wojtowicz para que o mesmo pudesse repor a verdade e deste modo criou a vídeo instalação “The Third Memory”.

    A menção da expressão “baseado em factos verídicos” é extremada e a ficcionalização da vida do indivíduo torna-o actor de si mesmo, “onde o mentiroso mente a si mesmo” na procura de repor uma verdade que se perdeu na vertigem dos acontecimentos.

    Apesar de tantos anos passados sobre o evento original e de diversos objectos artísticos por ele provocados, parece-nos pertinente usar como inspiração estes materiais baseados em factos verídicos para reflectir sobre a tensão entre poder e desejo e o impacto que tem nas nossas vidas e nas relações interpessoais.

    Não é a história de John que aqui está em jogo ou que queremos contar, mas as histórias que contamos a nós próprios.

    Solange Freitas

     

    FICHA ARTÍSTICA

    Direcção | Solange Freitas

    Co-criação e Interpretação |Luís Puto, Solange Freitas, Rui Neto

    Música e Interpretação| Teresa Castro

    Desenho de Luz | Rui Monteiro

    Produção de Som e Vídeo| André Guerreiro

    Maquete| Margarida Silva

    Produção | Vertigo

    Co-Produção| ZDB

    Residências | Negócio/ZDB, O Espaço do Tempo, Companhia Olga Roriz

    Apoios| Câmara Municipal de Lisboa/Polo Cultural das Gaivotas | Boavista

    Duração| 50m

    Classificação etária | A aguardar classificação

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    Nota Biográfica

    Solange Freitas| Direcção, Co-criação e Interpretação

    Licenciatura em Actores e Encenadores na Escola Superior de Teatro e Cinema. Estudou Psicologia Clínica na Escola Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). Actualmente frequenta o mestrado em Artes e Comunicação da Universidade Nova de Lisboa – FCSH. Criou, em colaboração com Catarina Vieira: Lá e Cá (2007) um dos vencedores do Projecto Jovens Artistas Jovens / CCB; Lá e Cá-rascunhos, Serralves em Festa; Lá e Cá – aparições no FIMP. Trabalhou com O Bando, no espectáculo Em Brasa. Espectáculo Poltrona -monólogo para uma mulher, de Cláudia Chéu, e nos filmes Retornos, de Luís Avilés e filme do Desassossego de João Botelho. Trabalhou com John Romão em Eu não sou bonita. Eu sou o Porco, apresentado no Citemor e Negócio. Colaborou como actriz e assistente de encenação, no espectáculo Violência de Cláudia Lucas Chéu. Criou os espectáculos em parceria com Catarina Vieira: Temporária, apresentado no Festival Temps d’Images/CCB; Fora de Jogo, apresentado no Festival Temps d’Images; O Festim – do fim das coisas nada sabemos, também em co-criação com Tiago Cadete no Festival Temps d’Images; Bugs apresentado no Festival Internacional de Teatro y Artes de Calle de Valladolid e no Rio de Janeiro. Assistência de encenação e produção de Teorema e Pocilga de John Romão. Direcção artística em parceria com Catarina Vieira do espetáculo Ex Machina apresentado no Festival Temps d`Images. Go Tell Fire To The Mountain; Festival Internacional de Teatro y Artes de Calle Valladolid. Em 2017 entrou no espectáculo Um libreto para ficarem em casa seus anormais, encenação de Albano Jerónimo e no espectáculo A Vida de John Smith de Mickael de Oliveira.

     

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    De 4 a 7 de Julho de 2018– de Quarta a Sábado às 21.30

    Entrada: 7,5€

    Entrada estudante em grupo: 5€

    reservas@zedosbois.org | Tel: 00351 21 343 02 05

     

    NEGÓCIO _ Rua de O Século, nº 9 porta 5- A bilheteira do NEGÓCIO abre às 21h www.zedosbois.org

     

    NECIO – Programação Marta Furtado – Imagem de projecto Sílvia Prudêncio – Fotografias de cena Laís Pereira – Frente de casa Liliana Baroni – Manutenção Maria Emília e Sambu Cassama .

     

    Os sócios da ZDB usufruem, anualmente, de duas entradas livres à sua escolha no NEGÓCIO.
    As actividades da ZDB, salvo as do Serviço Educativo, são Indicada para maiores de 16 anos.
    A ZDB é Financiada pela Secretaria de Estado da Cultura – Direcção- Geral das Artes.
    A ZDB tem o apoio da C.M.L e do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social.