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  • 19 de Julho 2016

    Rangda | Tiago Silva

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    À partida, seria tentador apelidar os RANGDA de supergrupo sem com isso incorrer em qualquer tipo de hipérbole, mas o uso da terminologia revela-se tantas vezes como uma mera muleta pomposa a albergar um vazio de ideias que em nada faria justiça a esta pirâmide abençoada. Formados por Sir Richard Bishop e Ben Chasny nas guitarras e Chris Corsano na bateria e percussões, os RANGDA reúnem assim três dos músicos mais fulcrais para a perpetuação e avanço contínuo das linguagens mais livres, honestas e idiossincráticas da música americana – num vortex absoluto capaz de albergar o rock, a folk, o free jazz e um infinito interesse e inspiração genuínos nas mais diversas latitudes, da hipnose de Java ao ragga indiano ou à poeira dos desertos africanos. Figuras sobejamente reconhecidas da ZDB que se reúnem pela primeira vez juntos neste palco.

    Com nome sacado à rainha dos demónios leyak da ilha de Bali, os RANGDA carregam assim a tocha do misticismo no seio do rock, num limbo constante entre a ordem e o caos só possível graças à mestria e graciosidade destes três grandes. O aprumo da composição em despique saudável com a liberdade de uma jam band – sem nunca resvalar para a inconsequência sabotadora habitual destas – num enredo apaixonante de riffs esquivos, solos celestiais e comunicação sensorial. O magma das seis cordas de Chasny em diálogo com os ensinamentos surf rock via exotismo de Bishop alicerçados na precisão mimética e expansiva de Corsano, com registo perene em três belos registos na sempre atenta Drag City, o último dos quais – ‘The Heretic’s Bargain’ – com edição já deste ano.

    Senhores de um trajecto impressionante e de uma discografia incomensurável, os três músicos têm nos RANGDA mais um exemplo de vitalidade tão essencial quanto aquilo que nos ofereceram no passado. Chasny tem/teve nos Six Organs of Admittance e nos Comets on Fire os seus projectos de militância mais reconhecível e duradoura, ao mesmo tempo que ia colaborando mais ou menos pontualmente com entidades como os Badgelore ou os Magik Markers. Bishop foi fundador – ao lado do irmão Alan e do falecido Charles Gocher – dos lendários Sun City Girls, banda mítica do subterfúgio norte-americano que findou actividade em 2007 deixando para trás um percurso pejado de registos e actuações históricas, tendo prosseguido uma louvável carreira a solo, ao mesmo tempo que mantém no activo a editora Sublime Frequencies. Corsano tem vindo a delinear um corpo de obra imenso, tocando com basicamente toda a gente que interessa vinda dos mais variados universos – de Paul Flaherty a Björk, de Joe McPhee a C. Spencer Yeh – num trajecto em constante expansão pautado por uma visão e generosidade imensa. BS

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    Tiago Silva
    Guitarrista português cujo minucioso e apaixonado trabalho de pesquisa em torno desse instrumento tem sido feito com parcimónia na obscuridade, Tiago Silva apresenta-se numa rara aparição a solo. Erigindo uma música rugosa e de arestas acutilantes trabalha num campo onde o riff se assume como matéria em constante desconstrução, próximo do noise mas com um pé firme na tradição dos blues e do rock, na linhagem de nomes como Keiji Haino, Bill Nace (Body/Head), Donald Miller (Borbetomagus) ou Peter Kolovos. Bruno Silva

    + Info: Drag City

     

     

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    Entradas: 8€ no dia do concerto | Bilhetes disponíveis a partir de dia 5 de Maio na Flur, Tabacaria Martins e ZDB em noites de concerto* | reservas@zedosbois.org | +351 21 343 0205