• CONCERTOS
  • 19 de Abril 2014

    Noite às Novas: Jejuno, Sallim, Ruben Costa, Sumbu Dunia, Cruzes Credo

    O repto é simples: convidar um conjunto de artistas emergentes no panorama nacional a pisarem o palco da ZDB por uma noite. Na maioria dos casos, uma primeiríssima oportunidade de desfilar o seu trabalho perante uma audiência. Do lado de cá, uma descoberta pessoal irrepetível perante talentos até então ocultos. Sem fronteiras estéticas, como convém, onde a linguagem do som e da música se assumem tão universais quanto deverão sempre ser. A ‘Noite Às Novas’ busca, deste modo, tomar o pulso a alguma da produção nacional, com previsão a voos maiores. E, de facto, tem sido assim desde a sua estreia, acolhendo no seu curso passagens de Norberto Lobo, Nicotine’s Orchestra, Filipe Felizardo, CAVEIRA ou Alek Rein. Nesta Primavera de 2014, a ocasião repete-se e convoca cinco jovens presenças. Cada uma delas reservando a um habitat ainda virgem e, agora mais que nunca, pronto a ser revelada. NA
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    Foto de Helena Vieira

    Jejuno
    Jejuno, nome artístico de Sara da Conceição, portadora de uma electrónica anímica, feita e contrafeita a escassa luz, cria um espaço mental de conteúdo multi-referencial e esparso. Ao chamamento de elementos da cultura popular ou às visões cosmológicas sob o filtro do psicadelismo, acrescente-se a torrente de convulsões e ritmos, dispostos em algum caos organizado de ouvido posto na melodia. Um olhar desfocado, mas convictamente apaixonado, sobre a realidade – e o tudo o que se encontra para além dela.
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    Sallim
    Nova paragem a solo e também no feminino. Sob a forma de fragmentos, a meio caminho da canção, as composições de Francisca Salem surgem, vislumbram e evaporam-se em escassos minutos. Na verdade, não será necessário muito mais, pois é pela soma de pequenas partes que resultam os grandes ganhos. A sua feliz condição de existência incompleta – cujos temas nunca chegam realmente a terminar – deixa-nos naturalmente infinitos caminhos em aberto. Motivos mais que suficientes para que Sallim se assuma como uma força geradora de estórias de arco e flecha ou sonhos rosa-púrpura.
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    Ruben Costa
    Alguns lembrar-se-ão dos One Might Add, duo composto por Alberto Arruda e Ruben da Costa, que em meados da década transacta nos ofereceram inspiradas paisagens kraut dispersas entre field- recordings e samplagem em tempo real. A electricidade estática então característica da banda, mantém-se viva e palpitante como nunca na obra a solo de Costa. Amplamente composto por explorações que gravitam em redor do magnetismo inato do sintetizador analógico, o músico capta um enorme vazio emocional que interage, a uma escala microscópica, com melodias criadas e encontradas no meio do processo de criação. Um selo de fascínio imediato garantido deste também habitual colaborador de Rafael Toral.

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    Sumbu Dunia
    Para além de baixista dos Sunflare, Rui Nogueiro parece ser, acima de tudo, um melómano puro cujo encanto constante com os sons que lhe chegam desencadeiam as mais diversas surpresas, desejos e questões. Nesta sua encarnação enquanto Sumbu Dunia, materializa algumas dessas inquisições e funde-as numa perspectiva de genética global. Oriente e Ocidente em transfusão sanguínea, electrónica e acústica em ligação siamesa e a nascença de uma identidade aglutinadora destes (e de tantos outros) focos culturais. Uma colagem sonora em movimento, de faceta antropológica por um lado, e musical por outro, que em breve terá edição física pela mão da Rotifer Cassettes.

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    Foto de Dunya Rodrigues

    Cruzes Credo
    Cruzes Credo, moniker de João Nogueira, mais conhecido pela sua contribuição a tempo inteiro nos Riding Pânico, o guitarrista prepara para este serão um vislumbre do que tem composto a sós com as suas seis cordas e o seu imenso mundo. Dominando um dedilhado habilmente cavalgante e esperançoso, Nogueira imprime uma vitalidade luminosa à música que traz. Plena de detalhes milagrosos, estará assim mesmo, à nossa mercê. NA
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