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  • 4 de Outubro 2016

    Nite Jewel | Migas

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    Nite Jewel

    Como as genuínas, Ramona Gonzalez continua a seduzir, a surpreender e dar-nos insistentemente mais razões para voltar a ela. Para quem se enamorou no já distante ano de 2009 com o seu disco inaugural ‘Good Evening’, tem sido sido uma relação longa com as necessárias mudanças e transformações. Houve entretanto outros intervenientes no seu percurso, gente talentosa como Dâm-Funk, Julia Holter ou Droop-E – todos eles de galáxias diferentes, e porém nenhum deles realmente alheio ao conceito de pop segundo Nite Jewel. Mas há quase sempre uma pedra no caminho e a sua passagem pela editora Secretly Canadian revelou-se, de acordo com a própria, algo tóxica do ponto de vista criativo. Visões díspares e supostas pressões na viragem de rumo musical levaram-na a produzir o álbum mais comercialmente viável até à data. ‘One Second Of Love’ continha as mesmas raízes electro de outros tempos no entanto, onde antes o  florescia o enigmático por detrás da neblina, passou a existir o concreto iluminado pela luz. Dentro de uma noção de uma passagem linguística, não é uma obra que envergonhe embora tal decisão tenha potencialmente afastado ou aproximado ouvidos.

    Foram precisos quase quatro anos para emergir então o seu sucessor. Curiosamente, ou nem tanto, ‘Liquid Cool’ representa um ponto de regresso ao que se poderia agora denominar de raízes. O ritmo das composições volta a diminuir, as melodias recuperam o veludo perdido e a voz de Gonzalez reencontra-se com uma melancolia contemplativa by night. Recorda em muito a magia que nos fez aproximar dela em ‘Good Evening’. Momentos como ‘Was That A Sigh’ tomam-nos a mão para uma pista de dança esquecida, centrando-se nessa essência absoluta de Nite Jewel: pop de baixa fidelidade, orgulhosamente fora de horas. Durante estes nove retratos de ‘Liquid Cool’, pisca-se o olho ao italo-disco em câmara lenta e trinca-se a orelha ao R&B de descendência estelar. De certo modo, é um ciclo que se completa, um ouroborus que se revela.

    Gravado entre Octubro do ano passado em Los Angeles e financiado pelos royalties de um jogo de computador com um tema seu, esta nova coleção de canções respira Nite Jewel a cada segundo. Neste retorno à sala que desde a primeira vez a acolheu por cá – e cujo terraço da ZDB foi palco para um vídeo que correu meio mundo – é mais que merecido tirar o pó à bola de espelhos e estender o tapete reservado aos convidados de honra. É bom tê-la de volta, junto de nós. NA


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    Migas
    Migas são Manel Lourenço (Primeira Dama) e António Queiroz (Kerox), ou seja, são melhores amigos e fazem música. Produzem em palco doses prováveis de drum machines, teclas distorcidas e vozes repetidas em delays. A oscilação premeditada não afecta em nada a vontade, de em toada, cantar a muitas vozes. Não (se)pára..

    + info: Xita records

     

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    Entrada: 8€ | Bilhetes disponíveis na Tabacaria Martins, Flur e ZDB (2ª a 5ª; 22h às 02h / 6ª e Sáb; 22h às 03h) | reservas@zedosbois.org

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