• CONCERTOS
  • 19 de Dezembro 2013

    Loosers | A.M.O.R.

    Loosers

    Quem viu os Loosers na Galeria Zé dos Bois em 2004 assistiu a um dos melhores concertos não apenas do espaço lisboeta, mas da história da pop-rock em Portugal. Não foi uma exibição de virtuosismos, nem um exemplo, sequer modesto, de showmanship, mas antes um breve e intenso momento de comunhão. Nessa noite, os músicos confundiram-se com a audiência. Não havia palco ou lugares marcados, a banda limitou-se a ligar os instrumentos e a tocar. E de um momento para outro, a festa começou.

    Nessa noite, os Loosers atingiram um zénite artístico e desfizeram o equívoco que os associava ao revivalismo do pós-punk. Emulavam os Liars? Não, a banda então liderada por Tiago Miranda afirmava-se, simplesmente, como uma entidade incerta, mutável que não se subordinava a contextos (o concerto) ou a formatos (o disco). Era uma aventura guiada pelas circunstâncias e os interesses confessados dos seus membros. Ainda assim, e como esse e outros espectáculos comprovaram, o epíteto de banda ao vivo sempre lhes assentou bem. Todos os trabalhos que editaram retratam uma actuação, uma performance, uma exploração sem fim..

    Com um novo disco, “Hot Jesus” e um novo elenco (Jerry the Cat, na voz, Rui Dâmaso na guitarra, João Maio Pinto no baixo, e José Miguel Rodrigues na bateria e nos sintetizadores), os Loosers revisitam e resgatam encontros, inspirações, experiências e até as memórias de outros músicos. Está tudo aqui: a paixão generosa pelo rock, pelo groove, pela dança, o gosto pela experimentação, a recusa de formas, tempos e geometrias pré-definidas. Em cada canção encontramos, sublimada, a liberdade que sempre caracterizou a banda. Sim, são canções, porventura como nunca fizeram, onde não faltam devaneios cósmicos, activismo político e cultural, vozes sedutoras e ritmos tribais. Assim descrito, ‘Hot Jesus’ promete os Loosers habituais, os que conhecemos desde 2000. Mas esta noite não haverá Déjà vu. Será um renascimento. JM

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    Jerry the Cat: voz, percussão
    João Maio Pinto: baixo
    José Miguel: bateria, sintetizador
    Rui Dâmaso: guitarra, sequenciador

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    A.M.O.R

    Dupla lisboeta cuja semi-existência pública inconstante remonta já ao ano de 2007, quando canções como “Abecedário” apareceram vindas de nenhures embrulhadas numa frescura capaz de abraçar com naturalidade diversas linguagens – rap, grime ou dubstep – e sobre as quais se espalhavam palavras acutilantes e certeiras, carregadas de uma sensibilidade feminina muito própria, nas vozes de Honey e Violet. Pelo meio, e entre promessas de um primeiro álbum que tardava em aparecer, Violet foi cimentando a sua faceta de produtora em belos EP’s para a Wicked Bass e a One Eyed Jacks, deixando no ar a ideia de que as A.M.O.R. teriam entrado numa sabática sem retorno.

    Ideia errada, que teve em “Novo Dia” – título mais do que adequado – uma primeira resposta em sentido contrário e que se materializa agora no muito aguardado álbum de estreia do duo. ‘∞’ é a afirmação de identidade das A.M.O.R. num disco que eleva as potencialidades evidenciadas no passado progredindo nesse mesmo continuum transversal onde a brisa romântica de “Come on Down / Show Me Some Love” ou a recuperação da melodia eterna da “Show me Love” na já citada “Novo Dia” coabitam com a tensão de “Amor é Cara Podre” ou ambiente opressivo de “Pesadelos”. Contando com produções de nomes como Schcuro, Chainless ou Markur (Photonz) e participações de Nuno Just, Blink, Coco Solid e Harper Lake, “∞” marca também uma aposta das A.M.O.R. nos terrenos sempre arriscados da auto-edição. Só pela sua existência, a aposta está ganha. BS
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