• Fora de Portas
  • 9 de Maio de 2009

    Kenneth Anger’s Technicolor Skull | Mécanosphère & Mark Stewart

    Palácio Valadares, ao Largo do Carmo

    No âmbito do Ciclo Kenneth Anger, evento pluridisciplinar que a Galeria Zé dos Bois apresentará entre 04 de Maio e 01 de Agosto, a ZDB Müzique preparou um conjunto de propostas transgressoras que, à imagem do iconográfico Anger, anjo esotérico do bizarro mais recôndito, entram na noite queimando as pontes atrás de si. A convite de David Tibet, poeta e músico fundador dos Current 93, todos os artistas aqui apresentados, excepto Bernardo Devlin, participaram na colectânea de homenagem a Kenneth Anger, “Brother Focus: For the Inaugurator of the Pleasure Dome”, a editar brevemente.


    Kenneth Anger’s Technicolor Skull

    Sistema mágico de luz, imagem e som, Technicolor Skull é uma celebração ritualista intensamente psicadélica, a última trip da cultura pop na forma de uma performance onde a lenda marginal Kenneth Anger, em theremin, e Brian Butler, em guitarra eléctrica, criam sons / jogos poético-hipnóticos para fragmentos fílmicos da genial obra de Anger.

    Um dos ícones absolutos do cinema underground, lado a lado com outros visionários como Stan Brakhage, Ken Jacobs ou Andy Warhol, Kenneth Anger, mago-cineasta do hermético, é responsável por filmes-experiências como “Scorpio Rising”, “Lucifer Rising”, “Invocation Of My Demon Brother” ou “Fireworks”. Ilógico e provocador, Anger deita pus. Ninguém desflorou como ele os padrões de arte do nosso tempo.

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    Mécanosphère & Mark Stewart
    Unidade transnacional de formação flutuante coordenada pelo percussionista e manipulador electrónico Benjamin Brejon e pelo multi-instrumentista Jonathan Uliel, Mécanosphère é uma fúria pós-digital que explora uma vasta sintaxe electroacústica. Profundamente percussiva, a música de Mécanosphère movimenta-se nas esferas bizarras do caos-rock, dub voodoo, ruínas de hip hop tecnóide e explosões de trash-jazz psicadélico.

    Reunindo ideias de música e artes performativas, o colectivo explora as ressonâncias da espectralidade, da magia e do oculto no contexto da hiper-tecnologia, equacionando a influências de pensadores tão dispares como Aleister Crowley, Paul Virilio ou Gilles Deleuze a toda uma found literature – ficção cientifica distópica, filosofia gnóstica, obscuros textos místicos, manuais da Nasa… – abstraindo-os numa poética sonora normalmente decifrada por Adolfo Luxúria Canibal ou Diogo Dória. Para esta actuação, todavia,Mécanosphère contará com a colaboração muito especial do vocalista/insurrecto Mark Stewart.
    Stewart, fundador dos míticos The Pop Group, talvez a banda mais decisiva de todo o movimento pós-punk, e, posteriormente, dos The Maffia – possivelmente o elo perdido entre Throbbing Gristle e o som de Bristol que começou a emergir a partir do final da década de oitenta –, contínuo agitador das águas do harsh-dub experimental que revolve a volta da editora On-U Sound, é o mais recente cúmplice do campo magnético Mécanosphère. Tal como a extravagante Angie Reed, feiticeira electroclash-dada que também actuará na ZDB, Mark Stewart encontra-se presentemente a gravar com a banda o mais recente disco do grupo, depois de uma primeira colaboração, a convite de David Tibet, na colectânea de homenagem a Kenneth Anger, “Brother Focus: For the Inaugurator of the Pleasure Dome”.

    Benjamin Brejon bateria, máquinas
    Jonathan Uliel Saldanha electrónica, máquinas, processamentos dub
    Gustavo Costa bateria
    Henrique Fernandes contrabaixo eléctrico
    Angie Reed baixo
    Mark Stewart voz