• CONCERTOS
  • 5 de Fevereiro 2015

    Jozef Van Wissem | Manuel Dordio

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    Jozef Van Wissem

    Através do minimalismo estético e dos seus resultados impressionistas, a obra do holandês Jozef Van Wissem tem vindo a tornar-se essencial. Destaca-se desde logo pela escolha do instrumento de eleição, o alaúde. Será difícil contextualizar este cordofone nos nossos tempos sem que a imaginação e o que fomos acumulando de conhecimento histórico nos devolva ao seu ponteiro temporal do Renascimento. Contudo é precisamente isso que tem procurado alcançar desde o virar deste milénio. Opostamente ao catalão Jordi Savall, estudioso e fiel revitalizador da música antiga, Wissem parece relocalizar o instrumento e as suas alusões à esfera contemporânea. Numa entrevista à Pitchfork considerou-se um intérprete de alaúde com atitude punk, referindo-se obviamente a uma certa vontade de libertação das amarras clássica. Renegando a abordagem habitual, mantém porém intacto o tom sacro-pastoral proveniente da guitarra em forma de pêra que tem acompanhado a evolução da própria Humanidade ao longo dos séculos. Essa ligação metafísica e universal é de resto comprovada nos títulos das suas peças – por vezes anexadas a narrativas bíblicas-apresentando sempre uma dimensão grandiosa e frequentemente anímica. Detalhes que encaixam harmoniosamente nas melodias que escutam e se dispersam ao longo da já considerável discografia a solo e na companhia de altas constelações como James Blackshaw, Loren Connors, Tetuzi Akiyama, Gary Lucas (ex-Captain Beefheart) ou Smegma. No meio destas diversas colaborações, brilha mais intensamente o encontro com o cineastra e músico Jim Jarmusch, originando dois belíssimos discos cujo último ‘Concerning the Entrance into Eternity’ atracou num porto de maior visibilidade mediática.

    As longas estruturas sonoras habituais no seu trabalho não se movem numa lógica de construção, situam-se antes num foco cíclico de momentos melódicos, cristalizando-os. É então o acto de envolvência, de escuta sensitiva (passe o pleonasmo), que importa nestes exercícios pouco complexos, mas profundos. Embora traga uma consistência física demasiado presente para deixar de ser notada, a música de Wissem sabe também acrescentar um lado sombrio e quimérico, levemente folk tal como a maioria a reconhece (fazendo o alaúde soar a um banjo) enleando-se imaginariamente nos últimos álbuns de John Fahey (com especial ênfase em ‘Hitomi’ e ‘The Red Cross’) ou de Oren Ambarchi. Pistas para uma noite cerimoniosa, como convém. NA

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    + info: Site  | Crammed Discs | The Quietus | Pitchfork

    .dordio!
    (c) Filipa Castro

    Manuel Dordio
    ‘Manuel Dordio toca guitarra eléctrica. A música que faz é simples e espaçosa, para quem quer dançar por dentro, lentamente. São canções de origem desconhecida. O Manuel não canta nos concertos a solo.’
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    + info: vídeo

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