• EXPOSIÇÕES
  • De 4ª a 6ª das 18h às 23h, Sábados das 15h às 23h

    Jaz aqui, na pequena praia extrema

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    Exposição produzida no âmbito da 5ª edição das ‘Residências Artes Visuais ZDB’ com Alexandre Rendeiro, Ana Baliza, Carlos Gaspar, David Guéniot, Eugénia Mussa, Filipe Felizardo, Gustavo Sumpta, Gwendolyn Van Der Velden, Inês Botelho, Lúcia Prancha, Patrícia Almeida, Marta Furtado, Natxo Checa, Ricardo Barbeito, Sérgio Carronha, Sílvia Prudêncio, Tatiana Macedo, Tiago Baptista, Tiago Borges, Yonamine.

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    As Residências de Artes Visuais na ZDB, fomentam, essencialmente, processos colectivos de discussão e debate entre os diversos participantes, através dos quais cada um procura desenvolver um pensamento crítico sobre os seus próprios territórios de acção e criação artística.

    Neste sentido, o percurso feito ao longo de três meses e meio de trabalho, centrou-se em torno de dois momentos antagónicos: numa primeira fase, cada participante elaborou uma apresentação individual, feita para o círculo de residentes, cuja tónica incidiu mais sobre pensamento e processos de criação e menos sobre obra já feita; numa segunda etapa o desafio proposto a todos os participantes foi o de uma tentativa consciente de descentramento dos seus próprios processos, em direcção a uma experiência colectiva, capaz de conciliar num projecto expositivo uma série de temáticas abordadas ao longo das conversas anteriores. Trabalhou-se portanto, a partir da ideia de um esquecimento de si, em direcção a um outro. A energia própria do conflito, proveniente do embate entre as diferentes sensibilidades, é campo de batalha, em que cada um se reconstrói na abertura e recepção do outro. A exposição Jaz aqui, na pequena praia extrema é fruto desse esforço de encontro.

    As conversas e apresentações das residências foram ainda intercaladas com palestras sobre temas específicos, feitas por oradores exteriores ao núcleo de residentes, e que, de algum modo, se enquadraram nos assuntos discutidos pelo grupo.

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    Jaz aqui, na pequena praia extrema

    Jaz aqui, na pequena praia extrema é um projecto colectivo de carácter experimental que – sublinhando o carácter inacabado da obra de arte – age de forma contida, despojada, onde se dilui a noção da autoria individual: tudo foi debatido por todos, na procura de possíveis consensos. O título da exposição, retirado da Mensagem de Fernando Pessoa, expande, aqui, o seu contexto original de reflexão sobre a nação (um país à espera de se concretizar) em direcção a um território mais amplo: o do humano e seu ímpeto civilizacional, simultaneamente criador e destruidor. Retomando a noção de conflito, é necessário um embate, um confronto, com o que existe de mais profundo e íntimo em cada um de nós, para que, desse lugar cavernoso e obscuro possa surgir a luz, talvez dizer, que é necessário destruir para dar nascimento, e prosseguir assim com o ideal humano de se sonhar a si próprio, essa elaboração de um projecto sempre em ascensão.

    Assim, a exposição estrutura-se, literal e metaforicamente, sobre um conjunto de traves de madeira que ocupam todo o primeiro piso e nos colocam perante a fragilidade do edifício e do seu sustento. Confrontando-nos com essa realidade desoladora, de que tudo assenta sobre bases perecíveis e volúveis. Apresentadas em bruto e sem qualquer iluminação, as vigas de madeira aparecem débeis, encenando um espaço em que a obra se concretiza na sua vivência; uma experiência de deambulação por um espaço vazio, que é uma espécie de antecâmara precária a preparar a subida ao segundo piso. Aqui, à fragilidade da madeira, opõe-se o peso da pedra; o chão está coberto de entulho: restos de tijolo, fragmentos de azulejos partidos, cimento, detritos do que outrora terá sido construído e que entretanto se desmoronou. Como se pudéssemos pisar um chão feito de destruição e ruína… Mas eis que, sobre os escombros, feixes de luz nos fazem esquecer o cheiro próprio do entulho. A obra de arte rasga, intervém, surge como prova de um humano ainda porvir. É o apelo à magia primordial da luz e à força evocativa da imagem perpetuamente reanimada pelo olhar que a atravessa, imbuindo de vida objectos e imagens. Como nos diz Emily Dickinson: se eu tenho sensação de que a cabeça, é como se estivesse a ser-me arrancada, eu sei que é poesia. No fundo, o lugar de toda esta erupção é a marca de uma vivência transformadora e que espera, agora, continuar a agir: agente activo e espaço de encontro.

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    Inaugura a 25 de Julho às 22h na Galeria Zé dos Bois

    De 26 de Julho a 28 de Setembro 2013

    Quarta a sexta das 18h às 23h, sábados das 15h às 23h

    Entrada: 2 euros |  Entrada Livre para Sócios ZDB

    Encerra.

    Dia 3 de Outubro –  Encerramento: Visita guiada; conversa; jantar; performance.

    A 5ª edição das ‘Residências Artes Visuais ZDB’ decorreu entre 8 de Abril e 25 de Julho de 2013

    Agradecimentos: Água Viva, Carlos Martins, Catarina Domingues, Filipa César, e Kenneth Goldsmith.

    O Serviço Educativo ZDB realiza visitas guiadas à exposição, dirigidas ao público escolar e a grupos, de entrada livre mediante marcação.