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  • 12 de Julho 2017

    Hand Habits | Cyrus Gengras

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    Hand Habits
    Na esfera infinita da escrita de canções haverá sempre espaço para todos. Para os inovadores e puristas, para a balada folk ou para pop electrónica, para a poesia da vida ou para a realidade do drama existencial. A geografia da sua origem de pouco ou nada se assume importante pois afinal tratam-se de temáticas universais. Megan Duffy poderá ter nascido oficialmente na região de Nova Iorque, porém o que expressa nas suas canções é uma tradução de ideias, estados e percepções que farão parte do quotidiano de muitos. É esse tom confessional e aconchegante, entre o canto balsâmico e o sussurro agridoce, que aborda uma miríade de sentimentos, relevando afinal um dos segredo da pop: esmiuçar a complexidade emocional através de uma expressividade simples.

    ‘Wildy Idle (Humble before the Void)’ é efectivamente o disco que melhor expressa o trabalho que Meg tem vindo a desenvolver. Editado no primeiro trimestre deste ano pela Woodsist (Cian Nugent, Woods, White Fence e tantos outros), nele traz ecos dos tempos em que se apresentava como Albany D.I.Y ou a fibra das digressões nos últimos anos com os Mega Bog e Kevin Morby. Num momento especialmente sorridente para Morby, envolto de interesse e aplausos, é o próprio a apresentá-la como uma das vozes mais arrebatadoras deste tempo presente.

    A abundância de detalhes, as camadas coloridas em sobreposição ou o escapismo sub-sónico ocasional atribuem-lhe uma natureza quase feérica. Ainda que boa parte destas canções surjam de esboços relativamente esqueléticos (a voz e guitarra, apenas), Meg alcança a fazer delas autênticas esculturas sonoras. Poderá ser pelo acréscimo de um slide às cordas, de uma repetição de palavras enquanto tudo se desvanece em seu redor, ou ainda pela inclusão inspirada de um segundo ou terceiro instrumento, normalmente pontual. ‘Wildy Idle (Humble Before the Void)’ encontra-se felizmente recheado destes atributos; e dispõem-os sobre uma enorme mesa, levando-nos a admirar cada um deles.

    Para além da composição musical, também a poesia marca ponto neste seu último álbum. Kayla Ephros, Lucy Blagg e Catherine Pond são as três autoras convidadas, como que forças externas, cunhando um diálogo entre as suas palavras na composição musical de Meg (que nestes casos envereda por um tom abstracto). Ganha na dimensão da mensagem e ganha na expressividade da mesma. Atesta por outro lado a capacidade de Hand Habits fora da estrutura familiar de canção – e fá-lo com distinção e gosto.

    Antes de se apresentar por cá ao lado de Morby, é com enorme prazer que a ZDB a acolhe. Será pois um concerto especial, em nome próprio e com um belíssimo novo álbum entre mãos. Algo que suspeitamos que não se repetirá tão cedo. NA

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    + info:  bandcamp | pitchfork | woodsist records | vice | vídeo | vídeo | vídeo

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    Cyrus Gengras
    Igualmente sediado em Los Angeles e também colaborador de Morby, há definitivamente muito que esperar de Cyrus Gengras. Afinal tem acompanhado gente valiosa, onde se incluem Jessica Pratt. É pois natural que todo o savoir-faire dessas aventuras o tenham colocado num trilho sólido e cativante. De facto, parece dominar com propriedade toda a escola de folk independente nas últimas décadas. Por detrás de uma aparente simplicidade, cada uma das cinco canções do EP ‘CG’ logra em desvendar uma veia de cantautor seguro, com muito para partilhar. Dos Wilco a Neil Young, passando por Kurt Vile ou Mac DeMarco, é dessa estirpe de gente inspirada, e inspiradora, em que Gengras se inscreve.

    Inesquecível, e espelho de uma personalidade espirituosa (que naturalmente se estende à música), fica o título de uma cassette intitulada ‘Fuckin’ Up My Name’, saída o ano passado na label Death Records. Além disso, ‘Funny Instruments’ poderá ser uma das baladas mais bonitas, honestas e assombrosas que escutarão nos próximos meses. Altamente indutor a road trips de verão e churrascos com direito a vinho vintage. NA

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    + info:  soundcloud | onglivedeathrecords | stereogum


    Entrada: 8€ | Bilhetes disponíveis na Flur Discos, Tabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h) | reservas@zedosbois.org