• CONCERTOS
  • Quinta, 22 de Fevereiro às 22h

    Gregg Kowalsky | Jon Porras | Yan-Gant Y-Tan

     

    Gregg Kowalsky
    Jon Porras

    Há um mundo que por vezes treme, gente que nos faz temer – e tremer também… – o pior, cidades feitas de ritmos frenéticos, uma vida agitada em todos os sentidos, incluindo os que pouco sentido fazem, e poucas oportunidades para o desvio contemplativo, para a fuga para outro lugar, ainda que interior ou simplesmente imaginado. A música – nesse caso como em tantos outros – pode ser a resposta que se procura.

    Jon Porras, nome que conhecemos de Barn Owl, e Greg Kowalsky, que militou nos Date Palms, podem, por um par de horas, oferecer na ZDB a entrada para um portal sónico alternativo, para um lugar feito de pulsares e frequências, de melodias suspensas e timbres, que permita escapar a essa realidade mais… dura ou obtusa. Em comum, além de uma militante colaboração na super-estrutura da zona de São Francisco conhecida como Portraits – em que, além dos Barn Owl e dos Date Palms se cruzou gente como Jeffre Cantu-Ledesma, Lisa McGee ou Maxwell Croy (artistas ligados a etiquetas como a Root Strata ou Type) -, Porras e Kowalski têm um passado em que trabalharam, em paralelo, no formato de duo. Jon Porras integrou, com Evan Caminiti, os Barn Owl, fonte de drones psicadélicos infinitos que verteu vários álbuns entre 2007 e 2013 em editoras como a Thrill Jockey; Já Greg Kowalsky investigou, ao lado de Marielle Jakobsons, caminhos conotados com a cena neo-folk e a new weird America, lançando, também na Thrill Jockey, em 2013, um trabalho de título The Dusted Sessions que já apontava para uma depuração ambiental.

    A solo, Jon Porras inscreveu trabalhos nos catálogos da Root Strata, Immune, Thrill Jockey e, já em 2017, da Geographic North: Tokonoma confirma uma nova devoção de Porras, que trocou a guitarra pelos sintetizadores, neste caso até o icónico DX7 da Yamaha, ferramenta fundamental em inúmeros exercícios de exploração ambiental da década de 80n em diante. A sua música é bastas vezes descrita como contemplativa, serena, orgânica e faz uso de algoritmos para reflectir sobre o próprio acto de compor na era da vertigem informativa. O resultado é de uma beleza profunda e preenche um espaço singular para onde é possível, de facto, derivar escapando de uma realidade feita de sons bem diferentes.

    Greg Kowalsky, por outro lado, traz-nos um extraordinário L’Orange, L’Orange que lançou também em 2017 na Mexican Summer, a sua mais recente proposta numa carteira pessoal de títulos disseminados em selos como a Digitalis, Root Strata ou Kranky. O texto oficial de apresentação deste trabalho explica que a música nele contida pode ser a resposta à pergunta “a que soa o sol?”. De facto, as texturas fluídas e líquidas deste álbum, extraídas de sintetizadores, soam como um lago quente que convida ao mergulho e à imersão, soam como luz clara em tardes de Verão passadas junto ao oceano: tudo imagens certas para onde apetece fugir no frio deste inverno urbano.

    Juntas, as propostas de Porras e Kowalsky, nesta dupla apresentação na ZDB, poderão ser o bálsamo exacto pelo qual os nossos ouvidos nem sabem ainda que anseiam. É ouvir primeiro e agradecer depois. RMA

     

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    Yan-Gant Y-Tan

    Figura omnipresente no circuito musical de Lisboa, têm sido diversos os espaços e as ocasiões de possível encontro com este jovem guitarrista. Próximo da família Cafetra Records, participou nos arranjos do belíssimo disco ‘Isula’ de Sallim e com 666 MfRas instigou num fértil universo de improvisação livre. Ainda sem um muito desejado disco em formato físico, é na esfera virtual onde encontramos as suas peças sonoras. Autor de uma música de natureza balsâmica, e tão espiritual quanto a condição urbana o permita, ressaltam os elementos minimalistas e impressionistas rumo a uma névoa familiar e confortável.

    A feitura destas composições seguem um apurado sentido melódico e o modo como interagem num processo de repetição ou descontrução aproximam-no à estética ambiental cunhada por William Basinski ou Stars of The Lid. Entre reverberações telúricas e apurados ecos marítimos, emerge esse espaço insular do mundo, imaginado – e agora igualmente partilhado – por Yan-Gant Y-Tan. Ocasião valiosa, portanto. NA


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    Entradas: 8€ | Entrada livre a sócios ZDB |Bilhetes disponíveis na Flur DiscosTabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h) | reservas@zedosbois.org