• CONCERTOS
  • Sexta, 6 de Abril de 2018 às 22h

    Eleanor Friedberger

     

    Contemporâneos de uma vaga revivalista, mas portadora de uma legitimidade refrescante, os Fiery Furnaces mereceram o seu lugar. Por alguns anos, levaram a pop a um estado deliciosamente disfuncional. Reuniram baladas salpicadas com água salgada e assaltos sónicos de mascarilha na cara no mesmo minuto. Confundiram muita gente, mas nesse processo souberam agarrar aqueles que, desde logo, ali viam um duo gingão e adorável, em doses proporcionais. As canções, essas, cruzaram a melhor ironia com os mais tristes fados numa bolha multicolor em constante mutação química. Apesar dos refrões orelhudos e das melodias iluminadas, a banda nunca almejou outros voos que não os do universo independente. Acenaram a todos um adeus na edição de 2011 do Primavera Sound, em Barcelona, mas outros rumos se seguiram. O carisma de Eleanor Friedberger seria demasiado relevante para se ficar por aí.

    Se na aventura com o irmão Matthew, o puzzle sonoro convertia-se num caleidoscópio, as suas oferendas a solo encaixam melhor numa qualquer máquina polaroid. Estruturas substancialmente mais simples, uma lírica sempre confessional e, no fim de contas, composições quase instantâneas, a pedir paixão num estalo de dedos. Com muita da paisagem musical de Friedberger a surgir dos anos 70s, por via de Patti Smith ou Fleetwood Mac, a delicadeza dos arranjos veio a tornar-se na melhor cúmplice para a sua voz – mais segura de si, mais enfocada nas suas possibilidades.

    Foi nestes moldes que “Last Summer” nos apresentou a ela; a nostalgia da mais quente das estações parece uma inspiração constante no seu trabalho, ondulando e brilhando num conceito de pop assente em guitarras e percussão, pois não será preciso muito mais para erigir estas estórias de corações partidos e desentendimentos emocionais. Um romance ongoing que Eleanor posteriormente desenvolveu no seguinte “Personal Record” (algo explicativo, dir-se- ia) e apurou no último “New View” – igualmente certeiro na escolha de título. Cada um destes álbuns ajuda a completar a identidade de uma artista que não é bem folk, não é somente rock, nem exactamente pop, embora consiga o feito de captar cada uma destas naturezas no seu melhor, por vezes quase em simultâneo. Bem vistas as coisas, seria difícil imaginar um melhor concerto para receber esta época primaveril. NA

     

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    Entradas: 10€ |Bilhetes disponíveis na Flur DiscosTabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h) | reservas@zedosbois.org