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  • 25 de Outubro 2017

    Drew McDowall | Lift Aym & Gagat

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    Drew McDowall
    “Exorcismo sónico”. Foi com esta expressão que Nikki Sneakers da Noisey descreveu uma das apresentações a solo de Drew McDowall em sintetizadores modulares. “Vê-lo ao vivo”, explicou ainda a jornalista, “é uma experiência que tem tanto de dor como de beleza”. Faz perfeito sentido. Drew mcDowall nunca escondeu que carrega nos ombros uma complicada história de vida, com alguns episódios bastante sombrios no seu passado. O que explica que a aparente bonomia que exibe antes de mergulhar fundo nos circuitos das suas máquinas se transforme em ambientes pesados, sérios, quase ritualísticos, como se precisasse de expulsar algumas das mais negras sombras que o perseguem.

    Drew McDowall nasceu há 56 anos na Escócia, mas é actualmente um activo residente de Brooklyn, em Nova Iorque, a sua casa desde 2000, altura em que se separou dos lendários Coil. O seu percurso musical recua, no entanto, ao fértil período pós-punk de 1978, quando formou os Poems, trio de art-punk que manteve com a sua mulher à época, Rose McDowall, membro das Strawberry Switchblade durante os anos 80. Nessa mesma década, Drew integrou os Psychic TV de Gensis P. Orridge, andou na estrada com os Shamen e aproximou-se dos Coil de John Balance e Peter “Sleazy” Christopherson, reforçando assim ainda mais a sua ligação ao incrível universo inaugurado pelo trabalho dos lendários Throbbing Gristle.

    A relação de Drew McDowall com os Coil tornou-se oficial em 1994 e durante o período em que estiveram juntos o trio gravou diversas obras, incluindo o incrível Time Machines de 1998, álbum que acaba de merecer reedição através da Dais Records. Neste álbum encontram-se quatro longas peças electrónicas baseadas em drones supostamente concebidos sob o efeito de drogas muito específicas. Inspirado pelas gravações hipnóticas dos monges tibetanos e por música cerimonial e xamanística de outras religiões, este trabalho foi composto numa tentativa de induzir a sensação de dissolução do tempo e é um óptimo ponto de partida para as peças a solo de Drew McDowall, até porque foram as suas demos solitárias que estiveram na base desse álbum lançado pelos Coil enquanto Time Machines na sua própria etiqueta Eskaton.

    Unnatural Channel lançado no passado mês de Maio é o mais recente projecto em nome próprio de Drew McDowall, intenso exercício de electrónica de recorte industrial e experimental. Trata-se do seu segundo lançamento a solo desde Collapse, de 2015 (ambos disponíveis na Dais Records).  Depois de chegar a Nova Iorque no início do milénio, Drew integrou-se na vibrante cena experimental local, formou os Captain Sons & Daughters com Kara Bohnenstiel e os Compound Eye com Tres Warren dos Psychic Ills, tendo lançado desafiantes registos em ambos os contextos.

    Mas é a solo que o trabalho de Drew McDowall parece alcançar paisagens mais remotas e sombrias, como se o exorcismo fosse mesmo questão de sobrevivência, de evolução, de identidade. Vê-lo a extrair estes pulsares primais do seu sintetizador modular ao vivo na ZDB será, certamente, uma das mais intensas experiências que poderão viver este ano.

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    Lift Aym & Gagat
    Nesta primeira colaboração entre Lift Aym e Gagat, a intangibilidade dos sons e dos elementos revela-se o início do limite catártico. A ambição e o desígnio de sustentar algo nestes moldes não é de agora, unindo-os inclusive um espectro de negativismo que recorrentemente incorporam em turvas e pesadas produções próximas do techno. Também discípulos das variantes drone, ambient ou até field recordings, catapultam tal idiossincrasia para um concerto predominantemente analógico, assente na comunhão encadeada por um eurorack modular, sintetizadores e demais efeitos.
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    Entradas: 8€ |  Bilhetes disponíveis na Flur DiscosTabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h) | reservas@zedosbois.org