• CONCERTOS
  • Sexta, 8 de Março às 22h

    Downtown Boys | Vaiapraia

    Downtown Boys

    “Soy la misma/Soy la misma/Pero llevo otra corona/Soy la misma/ Soy la misma/ Y yo no soy tu madona”. Estes são versos de uma canção punk-rock de uma banda dos Estados Unidos. Quem advinha o nome da banda? Vejamos: aqueles mais familiarizados com a história recente do hardcore diriam que pertence a um tema dos Los Crudos, os mais fantasiosos diriam que pertencem a uma canção inédita dos Pixies cantada por Kim Deal, quando a banda de Boston dava os seus primeiros passos.

    Ambos estariam enganados. Pertencem à canção Somos Chulas (No Somos Pendejas), das/dos Downtowns Boys (Victoria Ruiz, Joey La Neve DeFrancesco, Mary Regalado, Joe DeGeorge) e como soa bem, como sabe bem. Na companhia desta  banda de Providence, Rhode Island, a palavra empoderamento (em termos sonoras, tão obtusa) é uma exaltação que faz aparecer a uma Nova América; queer, latina, feminina. Livre e plural, expandida em cores, matizes, contornos. Musicalmente, imaginem o regresso das X-Ray Spex, curtidas pelas guitarras das Sleater-Kinney, ampliadas pela intransigência das Bikini Kill e a agressividade das Lunachicks. Sim, há tempos acelerados, coros, guitarras, mas, também, aquele talento que enleva bandas bem acima das prisões do género musical. 

    Ouçam, do álbum mais recente, Cost of Living (2017), “Lips That Bite” (com teclados e saxofone) ou “Violent Complicity” ou, ainda “Because of You”, a fazer ecoar os temas mais acelerados dos Pixies, e sintam a rock, enquanto ganha vôo, a levar a pop com ele. Há um desejo de “clássico” nesta banda, de nos oferecer canções que aspiram ao espírito do tempo e, ao mesmo tempo, a um lugar luminoso na história da música popular e do punk-rock (reparem, já agora, como o título do álbum replica um dos primeiros EPs dos The Clash). Os Downtown Boys reconhecem um legado, mas preenchem-no, liricamente, com um novo olhar, mais militante e inclusivo, mordaz e alegre, colectivo. Sem medo, contra a violência de todos muros. Citando, um famosíssimo tema que a banda homenageou no seu disco Full Communisme (2015), “dançando no escuro”. Porque elas e eles têm centelhas, podem fazer fogo. Já, agora, nesta noite. JM

     

    Vaiapraia

    Mas antes, mas antes, o lugar deste fogo terá como protagonista Rodrigo Vaiapraia, também conhecido Vaiapraia Sem a companhia das Rainhas do Baile, este crooner punk de Setúbal, que sublimou medos, fragilidade e desenhos em Amor Duro (2018), toma a palavra com insurreição sensual, contando histórias e memórias, falando de medos e aspirações. Com uma nova banda, a dar o corpo e a voz, das sombras para a luz do palco, das promessas do queerpunk para a coragem da música cantada em português em canções como “Perfeito” ou “Morre Se Queres Morrer” ou “Amor Duro”. Há um (novo) rapaz na cidade. JM

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    Entrada: 12€ |Bilhetes disponíveis na Flur DiscosTabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h) | reservas@zedosbois.org