• CONCERTOS
  • 7 de Maio 2016

    Capicua – Concerto de Lado Esquerdo

    Ana-Quattro-final

    © Miguel Refresco / Curva Contra Curva

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    Já muito se escreveu, muito se leu e muito se disse sobre aquela que é a voz feminina de excelência do rap nacional. No entanto, por mais que se escreva, leia ou se diga sobre quem é e o que faz Capicua, resta sempre uma via aberta à sua obra – e por extensão à sua pessoa. Volvidos dois anos após a edição de Sereia Louca, já salta grandemente do circuito do hip hop e estabelece-se no limiar da esfera pop. Algo que surgiu de modo natural e consistente, sem concessões criativas. Na verdade, não haveria como resistir ao potencial inato de canções tão apelativas quanto Vayorken ou Lenga. Socióloga de academia e rapper de convicção, Ana Matos retrata frequentemente a realidade colectiva do único modo possível: na sua essência. A polaroid que daí sai é declarativa e inconformista, (“eles têm medo de que não tenhamos medo”, segreda-nos em Medo do Medo) todavia portadora de uma real esperança de transformação positiva que, a dado ponto, a distingue de outros contemporâneos.

    Medusa veio a acrescentar mais uma peça ao jogo Capicua. Trouxe reinterpretações de Octa Push, Sam The Kid ou DJ Ride e colocou-a ainda lado a lado com Valete. Uma lista de talentos indubitável que não só explicita a transversalidade que a sua música atinge, como também o espírito de envolver novas energias ao processo – seria pouco provável imaginá-la no hemisférico da África digital pelas mãos de Marfox e Puto Anderson, mas tal aconteceu, e com êxito. Tudo enquanto parte fundamental do encanto dessa série de buscas, encontros e surpresas cuja importância será exponencial para a construção de uma identidade artística única.

    É sem um contexto minimamente promocional que Capicua regressa à ZDB, a casa onde sempre brindou em primeira mão os seus trabalhos. Já por cá não se apresentava há três anos, altura da edição da mixtape Capicua Goes West. Desta vez não existe álbum novo, tão pouco uma digressão na calha. Existe sim o intuito de criar um momento genuinamente especial, bem distante das produções grandiosas de festivais. Será pois uma actuação de cariz íntimo, em que o tempo não limitará a experiência e, mais do que nunca, cada verso se escuta e se compreende em uníssono com a sua vida. Será mais do que um mero concerto, uma ocasião de enveredar numa visita exclusiva à esfera Capicua. Imperdível. NA

     

    + Info: SiteFacebook |Entrevista + Concerto RTP | Vídeoclip

    Entradas: 15€ | Bilhetes disponíveis na Flur, Tabacaria Martins e ZDB em noites de concerto* | reservas@zedosbois.org | +351 21 343 0205

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    * Os bilhetes adquiridos nas lojas têm uma comissão de 0,50€