• Fora de Portas
  • 18 de Novembro de 2006

    Buraka Som Sistema | DMZ Digital Mystikz Vs Loefah

    Big Bass Party Sessions


    Ateneu de Lisboa

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    Buraka Som Sistema feat. Petty
    DMZ – Digital Mystikz Vs. Loefah feat. MC Sgt. Pokes(UK)
    Selecta Lexo (Raska)

    Buraka Som Sistema
    Depois do Verão Buraka é preciso manter as coisas a subir de nível. Londres está à espera, Nova Iorque também, Diplo rendeu-se desde a Florida, Rio e Luanda e quem mais vier também vão apanhar com qualquer coisa em breve. Para lá da enorme festa que são os Buraka, da Petty ser aquilo tudo e só ter 16, para lá do Kalaf, do Conductor, do Lil’ John e do Riot, Buraka – de Luanda para Lisboa – é som local, é beat local, e é um orgulho ter um som que faz dançar que se acaba e acabou por tornar tão nosso, e que pode ir tão longe para tanta gente.

    Um kuduru que se diz que é progressivo, filho bastardo da ciência dos sub-graves, e que moderniza e torna lisboeta, urbano e contemporâneo o que os kuduristas viram no Miami bass e no house nos anos 90. Ora filho ora irmão do grime, do house, do drum’n’bass, do dancehall, traça linhas fraternas para o dubstep – com quem se vê acompanhado nesta noite. Está lá o woofer como Alto Templo, a batida fresca, o som seco e incisivo – e o resto é balanço constante.
    Editaram «Yah» em 7”, mandaram o EP «From Buraka To The World» cá para fora há poucos meses, fizeram epifania dos Santos no Adamastor, puseram o Sudoeste a mexer e sentaram toda a gente no Lux. Ver as caras das pessoas nos concertos de Buraka quase que é como se estar a assistir a uma geração (ou duas ou três) a aprender a dançar de outra forma, a desinibir-se de outra forma, a ter prazer de mais uma maneira. São uma concretização fantástica de uma coisa que já tardava em aparecer, e uma ponte tanto estética quanto social que é das coisas mais porreiras que aconteceu à música (e não só) desta cidade nos últimos anos.

    Buraka a 100%, com todos em palco, a enviar mais uma transmissão para o mundo.

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    DMZ – Digital Mystikz Vs. Loefah feat. MC Sgt. Pokes
    Descendentes de uma série de linhagens ligadas à música urbana britânica ou nela presentes no último par de décadas (do jungle ao drum’n’bass, do house ao grime às raves), os Digital Mystikz e Loefah encontram-se neste momento num local de destaque duma nova realidade musical – porque também social – eminente. Provenientes do Sul de Londres, onde de há décadas para cá Brixton e a sua comunidade jamaicana exercem enorme influência estética sobre as artes, os Mysitikz e Loefah absorveram o legado do «dub» jamaicano, aglutinando-o com um conhecimento – de muita propriedade – de outros sons de cariz marcadamente citadino (e londrino, no particular), ajudando a criar, com outros embaixadores do género – casos de Kode 9 ou Skream! -, um emergente género denominado «dubstep».

    O seu trabalho, uma realidade nas ruas de Brixton tanto como em Hackney, começa agora a ser absorvido por meios mais escolásticos com fortes ligações às manifestações criativas provenientes da rua. A aclamada revista Wire dedicou-lhes recentemente um artigo, a instaurada editora de música electrónica Warp convida-os para actuarem em eventos, a BBC Radio 1 chamo-os para as «Dubstep Warz» de Mary Anne Hobbs, Ricardo Villalobos passa o recente 12” «Left Leg Out» (dos Digital Mystikz) nos seus sets.

    Constituídos pela aglomeração de duas entidades, os Digital Mystikz (Mala e Coki) e Loefah – nesta noite com Sgt. Pokes nas funções de MC -, os eventos DMZ (que é também o nome da editora fundada por estes artistas) – regulares tanto em Brick Lane como em Tottenham Court Road como em centros sociais em Brixton -, são já pontos incontornáveis do que se passa em som ao vivo em Londres. Criadores de inovação, originalidade e arrojo, vêm a Portugal enquanto figuras de grande destaque de um dos géneros em que mais se está a avançar na música de dança hoje em dia. Cientistas de «bass pressure», passam o bisturi por beats clinicamente perfeitos e frescos, enquanto disparam linhas secas de synths com uma noção imaculada de «groove». A «bass pressure» num dos seus estados mais elevados ao vivo em Lisboa, nos dias em que o dubstep rebenta.

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    Entrada: 10 €