• Fora de Portas
  • 27 de Maio de 2008

    Boris | Growing

    Lx Factory, Alcântara

    Screaming fields of sonic love sessions

    Boris
    Apóstolos do analógico, missionários da força transcendental do rock, os japoneses Boris desenham à força de impetuosos projécteis sonoros um colossal arco de ruído maravilhado, absorto na experiência psicadélica. A estreia do trio em Lisboa – que na verdade será um quarteto, dada a presença em palco do über-notável Michio Kuriahara (Ghost, White Heaven, The Stars) – coloca, por uma noite, Alcântara como destino de todas as viagens.

    Formados em 1992 por Atsuo, Wata, Takeshi e Nagata (que deixou a banda em 1996, reduzindo-os a um enorme power trio), os Boris escapam à catalogação preguiçosa, explorando géneros tão aparentemente díspares como o drone metal (as afinidades com os norte-americanos Sunn O))) e Earth são evidentes), o stoner rock psicadélico (pensem nos californianos Quicksilver Messenger Service e em todas as outras jam bands alucinógenas dos anos 60) ou o noise (Merzbow é uma referência inevitável, embora aqui o estrondo seja mais orgânico e visceral, mais próximo da verve de Keiji Haino, com quem já colaboraram em algumas ocasiões). A discografia nunca mais acaba (dezassete álbuns, mais uma imensidão de EP’s e singles), mas registos como “Pink” (disco do ano em 2006?), o duplo “Altar” (também de 2006, em colaboração iluminada com os Sunn O))) de Stephen O’Malley) e “Smile” (o novo álbum, embebido na memória do glam rock japonês dos anos 70) reerguem a revolta para bem alto e justificam uma referência especial.

    Ao vivo, a investida Boris assalta os tímpanos com uma muralha de som simultaneamente avassaladora e irresistível, diferente de todas as outras. Nada no mundo conhecido soa como a algo sequer parecido. Hoje estreiam-se em Lisboa e não duvidem, a cidade vai ser deles. Vocês vão fazer o quê, ficar em casa?

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    Growing
    Pela primeira vez em Lisboa, o duo de agitadores nova-iorquino Growing é, a par de outros colectivos do lado de lá do Atlântico como os Black Dice, os Sightings ou os Pyschic Ills, um dos mais interessantes grupos da actualidade a quebrar as barreiras da electrónica mutante e a imaginar o noise como algo com gente viva lá dentro.

    Pegando na experimentação discordante de visionários como os Velvet Underground (pelo lado mais rock) ou os White Noise (pelo lado mais electrónico), os Growing rodam os botões do infinito e pisam os pedais do absoluto. “Lateral”, o último álbum, editado pela The Social Registry (casa dos Gang Gang Dance, Psychic Ills, Samara Lubelski, etc.), é uma estupenda bofetada de diferentes texturas ambientais, repetitivas e cheias de cor, para ouvir e ouvir e ouvir e ouvir.

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    Entradas: 10€