• CONCERTOS
  • 17 de Março 2016

    Angel Olsen

    20150914 008 Vera Marmelo(c) Vera Marmelo

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    Em poucos anos tornou-se numa autêntica embaixadora folk de encarnação rock. A voz distinta, as estórias em sépia e uma presença hipnotizante fizeram de Angel Olsen uma pérola dos tempos modernos enquanto songwriter de primeira linha. Apresentada ao grande público por Bonnie ‘Prince’ Billy, bastaram dois álbuns para condensar o melhor que se poderia esperar dela. Half Way Home reinou pelo lado bucólico, intimista e desprovido de qualquer referência à sua época, tornando-o intemporal. O seguinte Burn Your Fire for No Witness trouxe uma sonoridade mais robusta e interligada, evidenciando as melodias e a arte das canções – terá sido então o disco que a colocou num pódio dourado. Mas muito antes disso, em 2010, surgiu um EP de estreia Strange Cacti, injustamente esquecido ou desconhecido para a maioria.

    Capaz de convocar o Sol e a Lua num só punhado de composições, o modo lânguido e envolvente das palavras e do dedilhado à guitarra surge perante nós como quem confessa ao ouvido um segredo impossível de ser contido. É com a naturalidade habitual nas obras genuínas que estes reflexos de vivências e de narrativas se ligam com o imaginário de quem se cruza com elas. No fundo, um dos papéis mais brilhantes da arte no geral e da música em específico: comunicar o Universal. Entre a electricidade e a acústica, a energia enigmática de Olsen desvenda lugares pouco comuns (e no entanto tão familiares, tão magnéticos) na canção popular. Recupera o encanto de outras vozes, de outros tempos, como Karen Dalton ou Buffy Sainte-Marie. Fá-lo por afinidade genética ou por inevitabilidade poética. Em ambos os casos, emerge uma entrega que descarta adereços. Sentimos isso nas gravações, nas entrevistas e especialmente sempre que se apresenta perante um público. Uma figura charmosa e admirável, mas pronta a desmistificar qualquer imagem no momento. Bafejada por um sentido de humor desconcertante, nas suas intervenções faz questão de descer do palco para se acomodar no bar – isto em termos figurativos, claro. E afinal, quantas grandes histórias já não nasceram ao balcão de um bar?

    A sua recente passagem por cá em Setembro passado constituiu um marco. Quer para a artista, quer para a imensa e crescente audiência que acudiu aos dois espectáculos, quer para a própria ZDB se sentiu aqui um encontro mágico. A quadratura perfeita para que pudesse regressar agora um pouco mais livre das limitações habituais das digressões, com algum tempo e espaço de se conectar com a cidade e com as pessoas. Uma curta, mas certamente fértil, estadia por Lisboa, em forma de residência de criação, que culminará com um exclusivo concerto a solo. Seguramente uma oportunidade ímpar de escutar, antes de qualquer um, o que tem vindo a preparar em estúdio ao longos dos últimos meses. Mi casa, tu casa. Vocês sabem e a Angel Olsen também.  NA

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