• CONCERTOS
  • Quarta, 5 de Setembro às 21h

    700 BLISS (Moor Mother & DJ Haram) | Kara-Lis Coverdale | Van Ayres

     

    Se a criação musical também espelha uma época, então estes são definitivamente tempos agitados, de mudança e transformação. Alguns dos discos que se vão escutando ao longo deste ano, do rap à electrónica, transmitem essa sensação – e muito mais. Muitos perguntam-se até que ponto pode um artista ser completamente averso a uma posição política na presente altura em que se vive. Essa consciência, mais social e progressista, tem gerado um despertar de novos intervenientes, colectivos e correntes musicais esteticamente desafiantes. Convém ainda ressaltar, com agrado, que boa parte desta produção tem origem feminina ou transgénera. Elysia Crampton, Octa Octa ou The Black Madonna são claros exemplos da importância essencial desta noção de liberdade, tolerância ou luta. NA

     

    700 Bliss 

    Acompanhar o trabalho de Moor Mother ou DJ Haram é compreender de modo mais profundo o que atrás se descreve. A primeira tem demonstrado que o encontro entre a poesia e o noise é capaz de abrir rumo a outros mundos; a segunda é apenas um brilhante exemplo do estado de metamorfose que a electrónica actual pode atingir (e membro da trupe Discowoman). Ambas partilham de uma fé absoluta no legado DIY que o punk nos deixou. 700 Bliss é pois uma união de forças inevitável entre as duas, cuja já longa amizade despoletou aquele que é um dos duos mais indomáveis a surgir nos últimos meses. Nesta surpreendente estreia nacional não há promessas, senão certezas, de que tratará de uma performance de bravura e dedicação ao minuto. O fogo (também) cura. NA

     

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    Kara-Lis Coverdale

    No caso de Kara-Lis Coverdale, o elemento do fogo cede lugar à água. A partir de uma abordagem de composição livre, entre sonhos MIDI e micro melodias digitais. No currículo traz uma série de colaborações ongoing alquimistas como Tim Hecker ou Tiondai Braxton enquanto tem eregido uma imaculada carreira em nome próprio. A canadiana, também organista de igreja no Canadá, é responsável por três brilhantes discos, numa espécie de trilogia acidental seguida ainda por um portento chamado “Grafts”. A velha escola do minimalismo norte-americano e alguma electrónica alemã dos 1970s assumem-se como possíveis pilares na vasta arquitectura sónica que Coverdale se dedica a desenhar. NA

     

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    Van Ayres

    Igualmente híbrido é o entendimento panorâmico e orgulhosamente disfuncional da pop segundo Van Ayres. O termo pop surge, mais que nada, no sentido de transmitir ideias complexas com uma aproximidade desarmante. Isto sempre com um tremendo bom gosto de criar, encaixar e brincar com melodias hipnagógicas. “Sorry Stars” teve direito a uma edição em vinil composta por dez temas instrumentais cuja natureza se assemelham mais a instalações sonoras do que a canções num sentido mais expectável. Tem actuado com regularidade, demarcando-se a partir de actuações insulares, necessariamente diferentes, concerto após concerto. Um patrão dos tempos modernos. NA

     

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    Entrada: 12€ |Bilhetes disponíveis na Flur DiscosTabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h) | reservas@zedosbois.org