• CONCERTOS
  • 22 de Janeiro 2010

    Gary War | PC Worship

    Gary War
    Numa época em que a novidade não é nada de novo tudo se torna previsível. E num universo tão complexo como o musical, a imprevisibilidade e irreverência tornam-se por vezes bacocas. Então só nos resta redefinir em vez de explorar, fazer da água vinho ou tornar peculiar o convencional. A emergência da música de Gary War é contextualizada pelo confronto entre o histriónico e o sério, entre o psicadelismo de Syd Barret e o aparato de Robet Smith, a ousadia de Ariel Pink e a posse de Gary Numan, numa mistura de texturas que definem o estilo das composições e transformam a audição numa perpétua descoberta. “Horribles Parade” é um disco de canções e é um disco falhado como tal. O som, a estrutura, a melodia e a estética são diametralmente opostas ao que um disco pop deve ser: confortável, simples e invisível. É exigido ao ouvinte sentido crítico e atenção constante para perceber a coerência por trás da aparente confusão. Falta de clareza, sensação de desprendimento, indiferença ou pura alienação, o espaço de manobra é tão vasto quanto irregular na contenda entre o sentido polifónico pop e a sua desconstrução. BM.

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    PC Worship

    Justin Frye é um músico prolífico da cena diferente nova-iorquina, a solo como PC Worship ou enquanto elemento fundador de Teeth Mountain e colaborador de Gary War e Dan Deacon. Em 2009 lança “NYC Stone Age” (shdwply) que recolhe o espólio acumulado entre 2006 e 2009. Composições de espectro alargado que se desdobram por inúmero estilos, da pop ao jazz ao punk ao noise ao drone, da consonância à dissonância, em contrante multiplicação, em matriz infinita. BM

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